O respeito à economia da vida e as pedagogias ecofeministas. Reflexões sobre a prática da agroecologia e do hamutuk

  • Teresa Cunha Universidade de Coímbra, Coimbra, Portugal
  • Luísa de Pinho Valle Universidade de Coímbra, Coimbra, Portugal
Palabras clave: pedagogia ecofeminista, ecologia de saberes, economias da vida, hamutuk, agroecologia

Resumen

Vincular a economia à vida implica reconhecer a interdependência entre humanidade, sociedade e natureza; além da compreensão de que a vida humana e não-humana é finita. O capitalismo contemporâneo fomentou práticas patriarcais-coloniais: um eco-apartheid que inflige uma guerra permanente e anti-democrática contra a terra, as pessoas, em particular as mulheres para garantir a acumulação do capital. Em resposta a esse arcabouço sistêmico do racionalismo instrumental moderno, analisaremos pedagogias ecofeministas que sustentam a inexistência de um abismo ontológico entre seres humanos e natureza, e também demonstram a indivisibilidade da vida, assim como, a coexistência de outras epistemologias e práticas de organização socioeconômica e política com potencialidades efetivas de transformação social e epistemológica. Afirmamos que as alternativas são sempre situadas, por isso, refletiremos sobre as experiências e os conhecimentos de mulheres agricultoras no Brasil, especificamente no Polo da Borborema, estado da Paraíba e as que praticam o hamutuk que é uma prática ancestral de trabalho cooperativo e intercomunitário em Timor-Leste, nomeadamente na prática da agricultura. Estas experiências, fortemente contextuais, incluem formas de transmissão de conhecimentos e de práticas que, a nosso ver, devem ser consideradas pedagogias ecofeministas sobre a gestão e conservação sustentável da vida individual-coletiva e do ecossistema donde vivem. Metodologicamente ancoramos este trabalho no conceito de corazonar (Guerrero Arias, 2010) que é um esforço de descolonização do pensamento que articula as dimensões afetivas, éticas, políticas e racionais na produção de conhecimento. Neste texto combinamos a reflexão teórica através de uma análise crítica da literatura, e os laços construídos ao longo de três décadas  de convívio com a matriarca Mina Bessa e a comunidade de Eluli no distrito de Maubara, em Timor-Leste. Este convívio baseado nos afetos, nos vínculos interpessoais e comunitários, na observação-participante e nas reflexões partilhadas nas muitas conversas tem sido a matriz desta produção de conhecimento.

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Publicado
29-11-2019
Cómo citar
Cunha, T., & Valle, L. (2019). O respeito à economia da vida e as pedagogias ecofeministas. Reflexões sobre a prática da agroecologia e do hamutuk. Otra Economía, 12(22), 238-252. Recuperado a partir de https://www.revistaotraeconomia.org/index.php/otraeconomia/article/view/14785
Sección
Sección Especial: Las Otras Economías en perspectiva de género